quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Pó a pó

Então sento eu e uma amiga lado a lado no mesmo banco de ônibus. A conversa vai em tons mais ou menos conhecidos, humor de piada boa que já se conhece; riso, não gargalhada. Papo vai e vem e vai de novo quando no canto do olho está lá, uma menina chorando. Não aquele choro discreto, mas copioso e soluçante, transbordante tristeza.
Foi-se o papo.
Minha amiga bem que falava, mas eu não ouvia. Nem via. Era tudo só aquela garota chorando, nó na garganta, altivez&dignidade zero, só sofrimento que não cabe em si. Olhava indisfarçado, vidrado. Ela, por sua vez, nem ligava, seus olhos brilhando de dor.
Queria ela para mim. Abraçar e dizer que está tudo bem. Beijar sua testa, terno, meio-amante e meio-pai, amigo “conte comigo pro que vier” e tudo mais. Seu rosto já seco em minha camisa encharcada, seus bracinhos na minha cintura, meu nariz no seu cabelo.
E ela desceu.